A Utopia

Nada melhor do que o último mês do ano!
E nada melhor do que uma reflexão para celebra-lo.
Na verdade darei meu parecer sobre um dos livros que eu terminei de ler a pouco: ‘A Utopia’ de Thomas Morus.
Digo de primeira que sim, é uma leitura inquietante, inquietante como só o questionamento na alma humana sabe ser.
O livro é a narrativa de Rafael Hitlodeu a Pedro Gil e ao próprio Thomas sobre sua estadia de dois anos na ilha de Utopia.
A ilha como o nome mesmo já diz é uma utopia, pois ali existe não só a polis perfeita, como a sociedade perfeita, a economia, a arquitetura, os ofícios, as funções sócias, a religião, a política, tudo, absolutamente tudo perfeito. (acreditem, tudo funciona!)
Ao longo da leitura eu chegava a me revirar; imaginar uma sociedade como a dos utopianos é algo muito difícil, pois como Rafael mesmo disse mais de uma vez durante sua narrativa nossos vícios já são tão fortes, tão enraizados, que nos cegam totalmente a uma outra possibilidade de ‘realidade’. Tudo que valorizamos os utopianos desprezam, tudo o que acreditamos ser certo os utopianos já sabiam e aplicavam, tudo o que imaginamos que nos torna pessoas melhores os utopianos já são...
Teve momentos que pensei que morar na ilha seria uma chatice, pois os utopianos desconhecem o prazer proporcionado pelos pecados, mas para eles o prazer, a volúpia, já atingiu um outro patamar, ao qual eu tive que dar o braço a torcer e reconhecer que é valido. Segue um dos vários trechos que me convenceu: “Eles se entregam acima de tudo aos prazeres do espírito, que encaram como o principal e mais essencial de todos os prazeres; colocam no plano dos mais puros e mais desejáveis a prática da virtude e a consciência de uma vida sem mancha. Entre as volúpias corporais dão preferência à saúde porque não se deve procurar a boa mesa e os prazeres da vida animal, senão visando à conservação da saúde, visto que essas coisas não são deleitáveis em si mesmas, mas unicamente em virtude de se oporem à inversão secreta da moléstia.”
Porque trouxe isso no meu blog? Muito simples.
Tentei mostrar as pessoas que é possível mudar as coisas, ou que no mínimo podemos pensar, enxergar diferente. Foi o que aprendi lendo esse livro, que apesar da obra ser considerada a pré-configuração do socialismo, deixar de lado o que valorizamos para tentarmos valorizar coisas que nunca imaginamos antes é um exercício difícil, muito difícil. Foi difícil pra mim ao menos, imaginar essa civilização, esse sistema, essas pessoas e eu inserida nessa vida, nesse estilo tão atípico a nossa realidade.
Desconsiderando os sentimentos alheios do ser humano na sua imperfeição, Tomas nos mostra que apesar da Inglaterra do século XVI ser/estar corrompida, errada, existe uma ilha que prova que tudo (o certo) é possível.
*todos os créditos são para ela, agradeço a minha dinda querida que sempre me apresenta livros que me ajudam a refletir!
1 Comments:
oi, sou eu aki denovo.
achei legal esse seu texto, é interessante pensar q é possível sair dos padrões que algum dia introjetamos tão profundamente em nós.
porém... (como vc disse no orkut q tb aceita críticas) eu diria q nossa sociedade já tem esse tipo de pensamento d q os prazeres carnais estão abaixo dos espirituais. a doutrina da igreja é toda baseada nesse ideal. e é assim q ela fabrica a culpa.
outra coisa q eu queria falar, pq é tão difícil a gente aceitar q nosso mundo seja perfeito? quem sabe não é assim q tinha q ser (até agora, não no futuro)?
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