quarta-feira, agosto 09, 2006

A busca constante ao equilíbrio e auto-conhecimento – Uma neurose minha e de muitas pessoas


Sim, este é um daqueles textos sobre a busca do auto-conhecimento e equilíbrio que todo mundo já leu em revistas como Saúde, Corpo e Mente, ou qualquer revista (mesmo as mais pobres em conteúdo ou conteúdo sensacionalista) que tenha ao menos uma sessão ‘auto-ajuda’ ou a aquelas perguntas para o psicólogo no ‘Dr.Astolfo* responde’.
Não tenho nenhum preconceito contra psicólogos, nem com nenhum material escrito sobre esse assunto, apenas penso no efeito que isso tem sobre minha vida e sobre a vida das pessoas. Será mesmo que eles ajudam? Será que um bom amigo ñ é capaz de dizer tudo o que um bom psicólogo diz só que de forma mais franca e descontraída, sem aquela tensão de consultório?...Será que a conversa franca e relaxada com uma pessoa mais velha ñ seria o suficiente?... provavelmente ao mesmo tempo em que essas conversas acontecem respostas vão surgindo, mas dúvidas também e na mesma proporção.
Tenho o costume de achar sempre algo sobre alguma coisa, filosofo muito e a cada dia que passa percebo que quanto mais consciência temos das coisas, a tendência a tristeza é maior e que quanto mais ignorantes somos, mais tranqüilos podemos viver. Percebo que o que eu penso provavelmente é o inverso, sem relação nenhuma ao certo ou ao errado. Precisamos de certo e errado para viver?.. Todos acreditamos em alguma coisa, temos fé, nas pessoas, na sorte, no que sentimos, mas até onde isso é válido? Sei que pareço os poetas do séc.XIX autores dos romances românticos, aqueles que idealizavam o amor e ñ tinham esperanças de nada concreto, que ñ acreditavam em nada, que morriam jovens e belos. Tirando a parte do drama dos românticos, até onde vai a nossa crença em algo maior e em nós mesmo? Os livros tem a resposta, ou pelo menos dizem ter, mas até onde elas se encaixam nos dramas pessoas de cada um? Até onde elas nos respondem as duvidas da alma? Até onde vai a eficácia de ler num livro que se você for assim você será visto assado?...Um livro que diga, faça isso porque você se sentirá melhor, você se tornará uma pessoa melhor, mais forte, mais querida(o), mais desejada(o).. como podem generalizar dessa maneira?... queria entender?
Desejo apenas sorte as pessoas que usufruem de guias de auto-ajuda. Sorte em conseguir realmente uma resposta que ajuda e ñ que generalize, uma resposta que te faça refletir e que ñ te aliene.
Até hoje busco respostas pra certas atitudes minhas, decisões, escolhas, justificativas ou respostas para certos acontecimentos em minha vida, perguntas típicas como ‘porque isso (só) aconteceu (acontece) comigo?’..mas daí inevitavelmente vem a pergunta: Porque me faço esses questionamentos?..De repa seja melhor eu calar, ñ pensar, ñ questionar, deixar as coisas acontecerem.. MAS será que esperar é melhor?..
Não existem livros que respondam a tudo, para minha infelicidade e certamente de muitas pessoas! Deviam publicar..
Será que na medida em que eu for crescendo, tendo mais experiências, quando eu já tiver vivido mais vou continuar a me questionar?..

*nome fictício, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

2 Comments:

At 28/8/06 6:44 PM, Anonymous Anônimo said...

Amada, a chave disso tudo chama-se "Fé" !
Bom, já logo me adiantando, não sou daquelas que lê livros de auto-ajuda... também não vou dizer que sou contra, mas estou aqui, resumindo o porquê de fazerem tanto sucesso... Porque as pessoas acreditam "ponto".
É verdade... quando a gente bota fé em alguma coisa e principalmente na gente, as coisas acontecem!
Filosofias à parte, é bem verdade...
Quanto a psicólogos, acho que funciona muito mais porque, de antemão, a pessoa já está indo "desarmada" buscando ajuda...
E também, muitas vezes as pessoas são levadas a ir, por causa de assuntos de saúde mesmo, porque estão num ponto de quase estar matando alguém, talvez no auge de TPM ou até mesmo, por ser "humano".
Ahuahuahuahuahua
Bom... é o que penso...
E tipo, não tenho respostas pra tudo, hoje, sei muito mais do que quando era adolescente e mais jovem em muito, muito menos do que quando estiver mais velha, mais experiente...
E qual o bom disso? As surpresas... aprender com erro, sabendo na pele o que pode e não pode ser feito e não apenas porque leu ou alguém falou...
Se não, tudo que nossos pais nos disseram, se tivéssemos seguido, estaríamos bem melhores... ou não (plagiando Caetano)...

 
At 28/8/06 6:45 PM, Anonymous Anônimo said...

Como nossos pais
(Belchior)

Não quero lhe falar, meu grande amor
Das coisas que aprendi nos discos
Quero lhe contar como eu vivi e tudo o que aconteceu comigo

Viver é melhor que sonhar
E eu sei que o amor é uma coisa boa
Mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa

Por isso cuidado, meu bem, há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal está fechado pra nós que somos jovens
Para abraçar seu irmão e beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço, o seu lábio e a sua voz

Você me pergunta pela minha paixão
Digo que estou encantado como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade, não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva do meu coração

Já faz tempo eu vi você na rua cabelo ao vento gente jovem reunida
Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como nossos pais

Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não se enganam, não
Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer que tou por fora ou então que tou inventando
Mas é você que ama o passado é que não vê
É você que ama o passado é que não vê
Que o novo sempre vem

Hoje eu sei que quem deu me deu a idéia de uma nova consciência e juventude
Está em casa guardado por Deus contando vil metal
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo tudo o que fizemos
Nós ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como os nossos pais

 

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